PROJETO BARROCO E COLAGEM NA CONTEMPORANEIDADE

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O recente incêndio no Museu Nacional, com a perda inestimável e irrecuperável de praticamente 20 milhões de peças de nosso mais antigo acervo, foi tão-somente o fim trágico do descaso histórico - pelo qual, em parte, todos somos responsáveis - para com nossa cultura, artes, educação e identidade. Quando iniciamos o PROJETO BARROCO E COLAGEM NA CONTEMPORANEIDADE, embora as labaredas do absurdo não estivessem flamejando em São Cristóvão, o que nos movia já era justamente o desejo de não deixarmos nossas memórias virarem cinzas.

O PROJETO desenvolveu-se em quatro aulas, mas contou com todo o mês de agosto dedicado à força crítica do discurso artístico do Barroco, sobretudo, o percebido na inquietude de da voz radical de Gregório de Matos, o Boca do Inferno, principal expoente da lírica brasileira do século XVII. Ao perceberem nas telas de Reimbrandt, Le Naim, Caravaggio, Rubens e Carracci, mestres da pintura europeia, também a contundência do discurso questionador e contraditório do conceptismo barroco, as(os) alunas(os) do 11th grade decidiram ler os dilemas sociais do presente pelas nítidas lentes do passado.   

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Decidiram, portanto, perguntar-se também - em diálogo profundo com a contradição e a retórica barroco - sobre aquilo que é, sem dúvida, dos aspectos mais relevantes da arte que visa a se debruçar sobre as angústias humanas: o que foi, o que é e o que será de nós? Ao tocarem nas feridas abertas do FEMINISMO, da INTOLERÂNCIA, da GUERRA e dos REFUGIADOS, da INFÂNCIA e da POBREZA e da GANÂNCIA, o 11th grade comprova a atemporalidade da obra de arte e deixa um recado ao futuro que NÃO se apagará.

 

Prof. Francesco Jordani (Literatura Brasileira - Ensino Medio)