Zadig, ou o Destino

uma história oriental

Ao longo deste ano letivo, o 8º ano desenvolveu a leitura do livro Zadig, ou o Destino - uma história oriental, de Voltaire. É uma obra enriquecedora, que nos levou a momentos de reflexão e acrescentou muito à escrita dos alunos.

Entre inúmeras atividades sobre a obra, finalizamos o ano com a produção de uma resenha crítica e, dentre os excelentes textos recebidos, gostaríamos de mostrar a atividade feita pelo aluno Gabriel Abreu, da 8B.

Deyse Garios

Professora de Português do MS

“Zadig, ou O Destino - uma história oriental”, é um conto antigo escrito no século XVIII pelo famoso filósofo iluminista francês Voltaire. O texto reflete sobre muitos conflitos, e traz muitas questões relacionadas ao destino, e como o próprio pode ser drasticamente injusto para uns, enquanto digno para outros. O livro já foi reescrito, e atualmente, pode-se lê-lo em sua versão eBook de 134 páginas com a edição de Ridendo Castigat Mores. É composto de 21 capítulos, sempre acompanhando a personagem Zadig em suas jornadas pela Babilônia, Egito, Arábia, e outros lugares.

A história de Zadig é cercada de suspense e há sempre um problema que ele deve resolver. O protagonista é um homem sábio, mas principalmente, é uma pessoa humilde e generosa. Essas virtudes, são na maioria das vezes, as origens de seus problemas. Por ter qualidades tão boas, Zadig acaba sendo invejado por muitos. A sua sorte também não lhe ajuda, seu destino sempre o leva às piores situações, que muitas vezes, ele não tem culpa.

No início de seu conto Zadig acaba se ferindo protegendo sua primeira pretendente. Ele acaba ferindo seu olho e ela logo descobre que não gosta de caolhos e abandona o homem que a protegeu. Ele eventualmente se cura, mas mesmo assim perde sua amada. Este é primeiro conflito da história, mas eventos como esse continuam a ocorrer até o final. Ele acaba abandonando sua segunda amada e também chega a ser multado, e como no primeiro conflito, ele raramente é o verdadeiro culpado destas ocasiões. Zadig se envolve em milhões de conflitos, mas sempre persiste.

O protagonista, durante sua jornada, tem que constantemente enfrentar religiosos e invejosos que lhe desejam o mal. Zadig é sempre criticado pelos outros, só por estar certo. Mesmo assim ele consegue adquirir o cargo de ministro da Babilônia com muito esforço. Infelizmente, sendo azarado do jeito que é, ele acaba perdendo esta posição pois se torna um criminoso. Novamente, ele é condenado por algo que não é completamente culpado, e por isso deve fugir para o Egito. Assim inicia a sua grande aventura, que é contada durante metade do livro e é cheia de desafios.

O livro “Zadig, ou O Destino - uma história oriental” conta uma história inspiradora e educativa, no entanto, ainda é bem previsível. Pode ser uma leitura difícil para aqueles que estão acostumados a ler livros atuais, já que contém um vocabulário diferente do moderno e também pode ser entediante. Este conto é quase o oposto de livros atuais como aqueles da série famosa “As Crônicas de Gelo e Fogo” de George R. R. Martin. 

Ambos, mesmo que tenham histórias que não se desenrolam tão rápido, são completamente diferentes quando se trata do modo que estas histórias são executadas. “As Crônicas de Gelo e Fogo”  é uma série composta de reviravoltas, tramas empolgantes, e finais inesperados, diferente de “Zadig, ou O Destino - uma história oriental”, que é simplesmente previsível. A jornada de Zadig contém personagens simples, com pouco caráter, e tramas fracas, porém isso não é um problema, pois esse não é o objetivo do livro.

O livro de Voltaire pode ser comparado de igual para igual ao livro “O Homem que Calculava” de Malba Tahan. Além de ambos terem histórias que se passam no Oriente Médio e não serem livros atuais, ambos têm uma estrutura textual e trama parecida. Os dois contam seu conto separados em pequenos capítulos, com cada capítulo sendo quase que um conto separado, nem sempre carregando a trama principal pra frente. Zadig & Beremiz Samir, os protagonistas de cada texto, são homens virtuosos e quase que perfeitos. E as semelhanças não param por aí. Ambos os livros têm histórias inspiradoras e educativas que buscam ensinar e trazer a reflexão à mente dos leitores. Eles têm tramas que buscam a reflexão mais que a empolgação.

“Zadig, ou O Destino - uma história oriental”  não é a leitura mais emocionante, mas certamente é uma que pode afetar suas perspectivas do mundo. É uma leitura que fará com que o leitor reflita e pense em conflitos presentes no mundo atual e no passado. Este livro não requer a atenção de um grupo, mas na realidade requer a atenção de todos. No entanto ele ainda pode ser mais útil para algumas pessoas. Escolas e universidades poderiam utilizar o livro para estudar a literatura antiga e refletir sobre os conflitos do livro em diversas aulas. O texto também poderia ser usado para aqueles que buscam entender o próprio autor, Voltaire. Já que muitas de suas opiniões e ideias são inseridas no livro, sejam elas a religião ou referências históricas.

François Marie Aroue, mais conhecido como Voltaire, é o autor da obra “Zadig, ou O Destino - uma história oriental”. Ele nasceu em Paris em 1694 e morreu em 1778. Foi escritor, filósofo, e muitas outras coisas, além de ser um iluminista francês. Durante sua vida, ele teve muitos conflitos com a igreja católica e a ideia de monarquia absoluta. Voltaire escreveu diversas obras como “Cândido” e “O Ingênuo”, estas que são lidas até hoje. Ele certamente foi um homem muito influente à literatura.

 

Resenha de Gabriel Abreu,

Aluno do 8o ano do Middle School da escola OLM